Município vira polo de condomínios logísticos

Mais do que um corredor viário, trecho de escoamento de produção e o elo entre duas importantes regiões metropolitanas brasileiras, a Grande Belo Horizonte e a Grande São Paulo, o trecho da rodovia federal BR-381 localizado em Betim, a 30 quilômetros da capital mineira, se transformou em um verdadeiro polo de condomínios logísticos industriais.

Pelo menos sete empreendimentos, já aprovados, estão previstos para ser erguidos nos próximos três anos, segundo levantamento realizado pela prefeitura municipal. Outros 3 milhões de metros quadrados destinados à mesma finalidade estão disponíveis no município, que prevê uma operação consorciada urbana em parceria com a iniciativa privada.

Somente a Log Commercial Properties, braço da área logística da belo-horizontina MRV Engenharia, tem a meta de investir cerca de R$ 700 milhões na construção de três grandes empreendimentos, incluindo o já iniciado Parque Torino, cuja primeira etapa foi entregue no ano passado. O condomínio logístico, que tem participação da Gatti Engenharia, fica ao lado da Refinaria Gabriel Passos (Regap) e terá 152 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), distribuídos em oito galpões logísticos, sete deles com estrutura para cross docking, e módulos a partir de 4 mil metros quadrados.

A expectativa da MRV é investir R$ 300 milhões no empreendimento, segundo o diretor de Desenvolvimento da Log MRV, Márcio Siqueira. “Ainda não temos definição de data para a conclusão das obras, estamos com várias negociações em andamento. O Parque Torino está sendo executado em etapas. A primeira foi concluída em 2015”, detalha.

Estão previstos ainda um galpão, de 42 mil metros quadrados, que deve ser aprovado nos próximos meses e receberá aporte de R$ 100 milhões, e um loteamento de 6 milhões de metros quadrados - 3 milhões deles de área negociável -, cujo anúncio deve acontecer nos próximos dias. O empreendimento receberá recursos da ordem de R$ 300 milhões. “O Parque Industrial Betim (PIB) é o nosso único empreendimento focado na área de vendas.

Estamos no processo de aprovação nos órgãos competentes e imaginamos fazer o lançamento ao longo de 2016”, informou Siqueira. O PIB será um condomínio logístico de uso misto, com área disponível para locação simples e no modelo built-to-suit (contrato no qual o locatário encomenda a construção do imóvel).

Betim é responsável pela quinta maior arrecadação do Estado. A prefeitura não informou quanto atraiu de investimentos nos últimos anos nem se tem fornecido incentivos à fixação de centros logísticos na cidade. Disse, apenas, por meio da assessoria de imprensa, que a localização, próximo à Regap e à Fiat, são os principais atrativos do corredor viário.

Tendência - Outra empresa que está aplicando recursos na região é a EPO Engenharia, que adquiriu um terreno de 300 mil metros quadrados para erguer um galpão logístico que custará R$ 80 milhões somente na primeira etapa. De acordo com o engenheiro Guilherme Santos, gerente de projetos da construtora, o centro tem uso flexível e capacidade para receber até 10 empresas. O objetivo inicial, no entanto, é que o empreendimento tenha um único inquilino. “Já temos um inquilino em vista, mas não podemos adiantar o nome devido a um contrato de confidencialidade”, afirmou.

A expectativa é de que a primeira fase da obra, prevista para durar um ano, seja aprovada nos próximos quatro meses. Segundo Santos, em função da crise, as outras etapas foram temporariamente “engavetadas”. “A segunda fase continua em stand by, até vermos como a economia e o mercado reagirão nos próximos meses. São grandes operações. Acredito que não tenha nenhum galpão com esse perfil na Região Metropolitana de Belo Horizonte”, avalia.

De acordo com o engenheiro, a localização do terreno foi o principal motivo para aquisição da área. “O local é muito bom, fica na confluência das BRs 381 e 262. Logisticamente estamos muito bem servidos”, diz.

A segunda fase do galpão  contemplará 30 mil metros quadrados, que poderão ser revertidos para uso comercial, como um street mall, devido à localização, de frente para a rodovia. Já a fase três tem como ponto de partida o uso comercial, já que trata-se de uma área dentro do município de Betim.

O primeiro empreendimento logístico a se fixar na região foi a Toshiba, que abriu a segunda fábrica de transformadores no Estado em maio de 2013, ao custo de R$ 151 milhões.

A prefeitura de Contagem foi procurada para comentar o assunto e falar sobre investimentos na região, mas informou apenas que “as secretarias de Desenvolvimento Urbano e Econômico não possuem esses dados sistematizados”.

Por: Patrícia Santos Dumont | Fonte: Diário do Comércio
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